segunda-feira, 29 de agosto de 2011

"O que nessas pessoas faz você se sentir dessa maneira? Um único incidente, talvez alguma coisa que disseram ou fizeram pra você, ou como olharam em certa ocasião, torna-se o momento decisivo em que uma imagem é congelada, como uma foto. A imagem daqueles a quem você conhece bem é continuamente editada e atualizada; a daqueles que, à distância, você meramente admira ou desdenha, ou a das pessoas que não significam nada pra você, pode ser confinada para sempre e com o tempo apenas se torna mais intransigente. Em cada caso, sua impressão das outras pessoas baseia-se no que elas fizeram você sentir: você gosta de quem fez você se sentir bem, não gosta de quem não o fez e pouco se importa com as demais."

Stephen Batchelor

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Como conhecer pessoas?

Como conhecer pessoas?

Como conhecer pessoas? Eu quero dizer... Pessoas estão aí, em todo o lugar, mas você não pode chegar a uma pessoa e dizer “Olá! Tudo bem? Vamos nos conhecer?”. Ou pode? Bem, isso seria no mínimo estranho. Da mesma forma, é difícil alcançar um nível pessoal de conversa através de uma troca de palavras com um desconhecido na rua, como, por exemplo, dizer “Bah, será que chove? E o teu nome é?” Não. Você também não pode fazer isso, pois isso também seria no mínimo estranho.

Abre parêntese – Mas, tio, por que tanta ênfase em evitar um comportamento estranho? Ora, porque sabemos como as pessoas reagem a situações estranhas a elas. É instintivo temer o desconhecido, logo, geralmente, as pessoas tendem a se fechar frente a uma situação completamente nova ou... Estranha.

Então, como conhecer pessoas?

Bem, este processo tem sido particularmente difícil para mim desde sempre. Sempre tive dificuldades em conhecer pessoas fora do meu âmbito de convívio – escola (ou faculdade), trabalho e família. Mas ouvi dizer que as pessoas geralmente se conhecem por redes de amizades, ou seja, você sai com um grupo de pessoas já conhecidas e de repente há uma pessoa a mais ali, e você conhece ela, e assim vai. Parece ser um bom sistema.

Mas e quando não temos conhecido algum em toda a cidade, como proceder?

Eis a questão. Fico a pensar.


Como conhecer pessoas – A continuação

Pois então, para fazer algo mais útil que apenas propor questões aqui, resolvi pedir ao deus-pai-todo-poderoso* Google por algumas respostas, mas Ele, como sábio que é, apenas me mostrou algumas coisas interessantes, como, por exemplo, o link que vem a seguir:

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090627200829AArXH8e

Leia todas as respostas.

Leu?

Notou algo de interessante?

Eu notei. E não tem nada a ver com as várias dicas de como conhecer pessoas como sair de casa, freqüentar lugares, etc. O que me chamou a atenção foi a quantidade de hotmails ali. Eu quero dizer, parece até um certo desespero! É só alguém apontar uma intenção de conhecer pessoas que várias já pipocam ali como que pulando e gritando “Add eu! Add eu!”. E mais interessante é que tal situação não se verifica aqui, no mundo real. Parece que a internet deixa as pessoas mais a vontade para expressar sentimentos e aflições, por quê? Não sei. Anonimato? Ou quase anonimato? Talvez. Ou é a sensação de que se está falando sozinho, com uma máquina, e não com outras pessoas, que faz com que as pessoas se soltem mais? Não sei.

Sei que não gosto disso. De repente, tenho a sensação de que todas as pessoas são tímidas. Ainda aquelas que não são, são sim, em um nível abaixo da superficialidade de sorrisos simpáticos e palavras gentis.


Como conhecer pessoas – A continuação 2

É interessante também como a mentalidade do ser humano consegue relacionar tudo com o coito. Fala “banana”? Já pensa bobagem. Fala “entrar e sair”? Pensa bobagem. Fala “ursinho panda”, se bobear até com isso se pensa bobagem.

Logo, não é de se surpreender que o Google tenha relacionado minha questão com o coito também, e assim acabei encontrando isso: http://www.movimentodossemnamorados.com.br/

“Movimento dos sem namorados”? Pois é. Agora, dê uma lida nesse “Mural de protestos” ali. Vê se não é interessante! Homens e mulheres buscando a mesma coisa e protestando que não tem homem/mulher no mundo pra eles. Que coisa doida. De repente, nossa sociedade me parece ridícula por não possibilitar essas pessoas a se conhecerem...


Como conhecer pessoas – A conclusão (por hora...)

A vida é um teatro. Seja o ator de suas próprias personagens.



*Esta caracterização do site de buscas Google não tem por objetivo ofender qualquer crença religiosa, mas sim ironizar o modo como o referido buscador e a internet como um todo tem sido “endeusados” neste novo milênio.

**Claro que uso o termo “coito” de forma irônica e extremista, com o objetivo de provocar um toque de humor sutil, quando na verdade poder-se-ia trocar o presente termo por “relações amorosas”, muito mais bem aceito socialmente.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Academicismo e conceitos

Antes de qualquer coisa, peço desculpas primeiro por não cumprir aos resultados da enquete e, segundo, por demorar tanto a postar algo de útil aqui. Terceiro, peço desculpas por ainda não postar nada de útil aqui.

Mas enfim, esta é uma discussão necessária para o bom andamento das discussões por aqui.

Neste blog falamos sobre devaneios.

Defina devaneio - "Estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens: passar as horas em devaneio. Sonhos, quimeras, fantasias, ficções: isto são devaneios de uma alma doentia."

Bom, não era bem essa a definição que eu tinha em mente... Reformulemos a frase então:

Neste blog falamos sobre divagações.

Defina divagar - "v.i. Andar errante, vaguear; percorrer ao acaso. Fig. Fantasiar; discorrer saindo do assunto. Delirar."

Humm... Não era bem isso também, mas que fique assim. Continuemos:

Neste blog falo sobre divagações que dizem respeito à psicologia, filosofia, fenomenologia, metafísica, história, sociologia e todo e qualquer assunto que diga respeito direto ou indireto ao ser humano enquanto pessoa e...

Pára! Peraí! Agora, defina psicologia - ...

Ok. Acho que já deu pra entender, né? Este não é um blog acadêmico. Nosso objetivo não é discutir conceitos de modo acadêmico. Por quê? Ora, simplesmente porque isso é muito chato. Veja niilismo, por exemplo, pra mim, niilismo significa o que a etimologia própria diz - nihil de nada e ismo de crença. A crença no nada. Já Nietzsche a define de outro modo, filósofo tal de outro, fulano de outro. Porra! E por mais que procure em todos os teóricos e dicionários do mundo, jamais vou encontrar uma definição que diga o que EU entendo por... SONHO, por exemplo.

Ninguém pensa igual a ninguém. O que eu entendo por coisa é diferente do que tu entende por coisa, e não é porque fulano que falou que coisa é coisa é mais famoso que eu que isso signifique que a coisa que ele definiu como coisa deva ser sempre definida sempre como a coisa dele. Entendeu?

Portanto, volto a falar que falamos de psicologia e filosofia, mas não, eu não faço nem estudo avidamente nenhum dos assuntos, sou estudante de história. Porém, não vou deixar de falar o que eu entendo por psicologia e filosofia só porque não tenho uma base teórica sólida repleta de conceitos cujas definições são aceitas pela comunidade acadêmica. Acredito que essas áreas do conhecimento dizem respeito direto às pessoas como um todo, e todas têm o direito de discutí-las, com seus conceitos próprios.

Logo, não visamos a uma discussão de certo e errado, mas sim a uma discussão de "eu entendo desta maneira", "eu entendo da outra", "humm, entendo, interessante", ponto. Não é porque Schopenhauer disse que os franceses são péssimos poetas que isso seja verdadeiro, tal qual não é porque o site www.dicio.com.br disse que devaneio não é o que eu penso que seja devaneio que eu estou errado.

Em outras palavras, não queremos uma discussão sobre o que certo conceito significa, mas o que nós entendemos entendemos por ele.

De qualquer forma, acredito que qualquer tentativa de objetivação do abstrato (classificação, conceituação, enquadramentos, encaixotação...) é no mínimo incompleta. Portanto, sempre que possível vou tentar tratar de tais assuntos pelo melhor meio que conheço, na minha opinião - a metáfora.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A Revolução dos Repolhos

Bem-vindos ao blog A Revolução dos Repolhos!


Missão:

Devanear sobre todo e qualquer assunto que dê na telha, e incitar seus leitores a serem mais que leitores, a serem DDDs! - Debatedores! Discutidores! Devaneadores!


Público-alvo:

Seres que possuam opinião... (não necessariamente humanos, eu, por exemplo, sou um repolho alienígena)

E por que A Revolução dos Repolhos?

Pois bem, esta é uma longa história...

Tudo começou quando um certo jovem entrou para a faculdade de História na Universidade Federal de Santa Maria. Lá, logo na primeira semana, ou melhor, no primeiro dia mesmo, ele já tomou contato com a disciplina de Teoria da História I. Não foram necessárias muitas horas-aula para uma verdadeira explosão conceitual fazer boom em tudo o que ele conhecia até então, além de, claro, fazer-lhe esvair o cérebro pelas orelhas (créditos ao Prof. André Fertig). Alguns tempo depois, ainda meio atordoado e com sérios problemas de escorrimento cerebral nasal, esse jovem presenciou as primeiras aulas de Metodologia da Pesquisa Científica em História, na qual escutou a tão esperada por você leitor metáfora do repolho (créditos ao Prof. Diego Dal Bosco Almeida). Esse jovem morreu alguns dias depois, lógico, vítima das constantes explosões cerebrais. Seu nome era José Givanildo. E até hoje ele aparece em listas de chama pelas disciplinas do curso.

Felizmente, eu também assisti a essas aulas, e também senti meu cérebro esvair-me pelas orelhas, mas resisti e cá estou, nem tão firme, nem tão forte, mas cá estou. E a metáfora do repolho? Muito bem, vamos a ela:

Disse o prof. Diego que o passado é como um repolho, da qual você vai tirando as folhas, tira uma aqui, outra ali, e quando finalmente chega no meio... O que você encontra? Nada.

Você, leitor: Tipo... Como assim?

Calma, eu explico. A nossa vida, a nossa história é expressa em linguagem, certo? (Você, leitor: É, claro, óbvio...) Pois, então, de que é feita a linguagem? Palavras, conceitos. E palavras e conceitos também são construções históricas. Como assim? Pois bem, Popozuda, por exemplo (péssimo exemplo, Giovan, péssimo exemplo...), não é uma palavra que existe desde sempre, pasmem! E aliás, é uma palavra cujo significado mudou radicalmente com a crescente popularidade do funk carioca.

Basicamente, tudo o que conhecemos é uma construção histórica, talvez seja mais que isso, claro, mas falemos da construção histórica, por enquanto. Assim sendo, a nossa vida e as coisas que conhecemos são como as folhas de um repolho, do qual o bom historiador as destaca. Um exemplo que eu gosto de usar é o conceito de infância. Ora, esse conceito só foi criado no século XVI, durante o Renascimento (corrijam-me se tiverem outras fontes!), antes disso as crianças não eram vistas como "crianças", mas sim como adultos pequenos em fase de crescimento, só. Toda a magia, a pureza, a ingenuidade, foram agregadas agora, nesses séculos. Por isso, gosto de afirmar que não existia prostiuição infantil na Antiguidade Clássica. Mas como assim? Se a respeitada historiadora Catherine Salles, em Nos submundos da antiguidade, nos fala em crianças de 7 e 8 anos se prostituindo?! Repito, não existia prostituição infantil, porque o conceito de infância tal qual conhecemos hoje não existia. Assim como o conceito de infância, muitos outros de fácil assimilação podem ser citados, como: Raça (e consequentemente preconceito racial), Homofobia, ordem e progresso, capital, dinheiro, sonho americano, amor... Todos conceitos, todos construções históricas, que podem ser destacados pelo bom historiador como as folhas de um repolho.

Enfim, disse o professor Diego que não devemos destacar todas as folhas do repolho, não lembro bem o motivo que ele deu, mas acredito que seja basicamente pelo bem de nossa saúde mental. Ou para fugir ao niilismo... Nietzsche, por exemplo, foi um cara que tirou todas as folhas do repolho. Agora se existe nada mesmo, não sei, reservo-me o conforto da dúvida e aceito as possibilidades: talvez não haja nada, talvez haja uma força sobrenatural que possa ser chamada de Deus, ou Grande Gnomo, ou talvez haja super-folhas impossíveis de ser retiradas, talvez haja um ruído que escutado bem de pertinho nos diga a resposta para todos os nossos anseios, ou talvez haja um magnífico emaranhado de conexões interdependentes com milhares de outros repolhos...

Por isso, A Revolução dos Repolhos, revolução porque é preciso fazer algo que está se tornando hábito esquecido na nossa sociedade: Pensar, e discutir. Porque discutir é pensar em grupo. E repolhos, porque acredito que todo aquele que ainda se presta a pensar e discutir sobre o ser humano e tudo que lhe cabe (em resumo: tudo?) também devem se aceitar como repolhos.

E você? Já tirou as folhas do seu repolho?


Quarta-feira, 1º de junho de 2011 - Continuação...

Como disse nos comentários, resolvi mandar um email para o prof. Diego, e para não alterar o texto nem correr o risco de distorcer novamente a metáfora, coloco a seguir partes do email que o professor me enviou em 26 de maio deste ano:

"Quanto aos repolhos: pois bem, o que eu disse foi que aquilo que chamamos de "realidade" que nos parece tão "concreto", "sólido" e "permanente", na verdade, me parece muito mais um constante "vir a ser". Um mundo que está em constante transformação. A metáfora dos repolhos cabe para esse ponto: a realidade é tão sólida quanto um repolho que é feito de diversas partes. As folhas do repolho podem ser tiradas -desconstruindo a realidade - e vendo como as coisas do mundo "se ligam" umas às outras. O fato é que, ao descascar o repolho, devemos tomar cuidado para ver quais as folhas que efetivamente vamos tirar e se temos a coragem suficiente para encontrar o "nada" ali existente.

Com o passado é a mesma coisa. No início ele nos parece tão sólido, tão concreto, mas não passa de ilusão, de invenção. O passado (como uma realidade que foi vivida) é um repolho, assim como o que conhecemos como realidade. O historiador "brinca" com o passado, com o que "poderia/deveria ter acontecido" mas isso não representa, em última análise, uma realidade. Trata-se de uma invenção - claro que bem fundamentada - mas uma invenção. Então, passado histórico como repolho. Parece sólido, parece cheio, parece pesado/difícil, mas quando descobrimos como as coisas "funcionam"; como as coisas "se ligam"; como as folhas se entrepõem, nos deparamos com o nada. (mas não será um "nada" de possibilidades?)" *

*ALMEIDA, Diego D.B. (Email pessoal) Mensagem recebida por ddalbosco@gmail.com em 26 de maio de 2011.